Respeito. Algo que todos almejam ter. Algo que todos deveriam oferecer. No passado, se existia um ensinamento que os pais conseguiam transmitir melhor para seus filhos era o respeito. O que vemos hoje, em tempos de redes sociais, é o desrespeito cada vez mais evidente. Fala-se de tudo, fala-se sobre tudo. Faz-se piada com tudo e com todos. Vivemos a "era do desrespeito digital".
Muito desse desrespeito, reflete pura falta de educação. Mas não é só isso. A noção de que é preciso respeitar a intimidade, o sentimento e a dignidade da pessoa humana parece que "foi para o espaço". E onde isso fica mais evidente é na Internet. Nessa "terra-sem-lei" fala-se de qualquer pessoa ou qualquer instituição por impulso, sem a menor preocupação se o que fala procede, ofende ou desrespeita. Muitas vezes, critica-se sem conhecimento de causa e, até mesmo, sem ao menos saber se aquilo que está sendo criticado ao menos é verdade. Outras vezes, uma situação embaraçosa, capaz de envergonhar seu protagonista, acaba sendo motivo de piada e as pessoas fazem questão de espalhá-la rapidamente, como se fazer piada de alguém em uma situação vexatória não fosse uma forma de desrespeito também.
Vejamos alguns exemplos. Nas comunidades do Orkut, no Facebook ou no Twitter é muito comum a opinião de um membro não ser bem aceita pelos demais. A divergência de opinião é normal. O que não é normal, nem agradável, é a forma como a opinião diferente é recebida. Muitos dos que discordam não conseguem debater um assunto sem, no mínimo, retrucar com palavras ofensivas direcionadas ao autor de opinião. Impressiona a quantidade de pessoas despreparadas para debater e argumentar com outras pessoas de opiniões diferentes, mantendo a discussão em nível respeitoso.
Críticas pesadas e comentários desrespeitosos são direcionados não só a pessoas, mas também a grupos, entidades ou instituições. As vezes o desrespeito é provocado simplesmente por falta de interesse ou afinidade com eles. Assim acontece quando fala-se mal daquela banda ou daquela dupla sertaneja ou daquela determinada igreja ou daquele partido político, entre outros. Fala-se mal de qualquer coisa com ela relacionada. Fala-se mal das atitudes, faz-se piadinhas com sua história, sua qualidade, sua competência, fala-se mal de sua seriedade, desconfia-se de tudo. Enfim, desrespeitam as instituições ou entidades de forma gratuita, somente por falta de afinidade. Desrespeitam por tabela, também, aqueles que por estas se interessam.
Pessoas mais conhecidas também são alvos de desrespeito. Estes sofrem desrespeito com boatos e, até, por atitudes mal compreendidas. Quem não lembra dos boatos referentes à sexualidade de um determinado apresentador da televisão? Muitos também criticam atitudes, sem ao menos ter conhecimento de causa. Se um famoso juiz concede um habeas corpus a alguém acusado de cometer um crime, logo dizem que "é um absurdo, o juiz se vendeu". Esses críticos nem sabem as condições que justificam um habeas corpus, mas criticam de forma ofensiva! Quando um governante anuncia o aumento do preço de um determinado serviço, como passagem de ônibus, chovem críticas. Não se preocupam em saber se há justificativa. Se aumentou, já dizem que é roubo do governante junto com os empresários.
Os famosos também são desrespeitados através de duras piadas quando passam por situações embaraçosas. Quem não lembra do treinador de futebol que foi alvo de piadas, ao conceder entrevistas com seu inglês sofrível, quando treinava a seleção da África do Sul? Os internautas não o pouparam da humilhação ao espalhar charges e memes. E aquela famosa cantora que, sonolenta após consumir remédios, errou a letra do Hino Nacional numa cerimônia. Choveram críticas e piadinhas infames. Situações como estas se repetem aos montes. São, é verdade, até engraçadas, mas certamente são constrangedoras para quem por elas passa. Entre a graça e o constrangimento, as pessoas preferem a graça e se esquecem de se colocar no lugar daqueles que passam por tais situações. E se fosse com você? Como você se sentiria? Já parou para pensar nisso? Se fosse com um amigo, certamente você iria dar apoio, mas, como é com uma "pessoa distante", vale o desrespeito? O distanciamento de quem é ridicularizado justifica o desrespeito?
Ou será que, talvez, o distanciamento torne as pessoas mais "corajosas", ao ponto de xingar quem pensa diferente ou ridicularizar quem quer que seja?
A falta de respeito se tornou algo tão corriqueiro que muitas vezes achamos tudo isso normal. É preciso aprender a respeitar opiniões contrárias. Críticas são bem-vindas, precisam e devem ser feitas com a intenção de corrigir, de denunciar ou de apresentar novos pontos de vista. É preciso saber debater, saber discordar com argumentos, sem partir para xingamentos e agressões. Quando uma notícia é divulgada, antes da crítica, deve-se refletir se ela procede, se tem fundamento, se não é um boato. Da mesma forma, quando alguém faz algo que não nos agrada, devemos procurar primeiro entender as circunstâncias que o motivaram, antes de reagir precipitadamente. Por fim, também é preciso se colocar no lugar dos outros antes de levar uma piadinha adiante. Ridicularizar não é legal. Ofende. Entristece. Envergonha a pessoa humana. Não importa se quem é ridicularizado é um amigo próximo, um conhecido distante, um famoso ou um anônimo. Tomara que essa nova "era do desrespeito digital" não seja de fato uma era, e sim apenas uma fase. Que as pessoas logo aprendam que respeito, antes de tudo, é bom e enobrece.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
A política e a politicagem nas redes sociais
Nas redes sociais se "fala" de tudo. Sabendo disto, muitos políticos viram nesta, uma oportunidade para se mostrarem para a coletividade. Cada um aderiu às redes de sua forma. Enquanto uns entraram como pessoas comuns, revelando parte de sua intimidade e interagindo com os demais sobre todos os assuntos, outros fizeram das redes um outdoor para suas "realizações".
Dentre os primeiros, aqueles que resolveram interagir, podemos perceber alguns padrões de comportamento. Vamos a eles:
1) Políticos do rabo preso: São aqueles que estão comprometidos com a situação. Forma a base de sustenção do governo ou prefeito e pregam que tudo que está errado é culpa da administração anterior do partido contrário. Não discordam de nada do seu "patrão" atual, independemente de as ações deste serem boas ou ruins. Por causa disto, geralmente ficam na maior saia justa quanto são questionados por outros internautas sobre determinado assunto ou sobre a justificativa de um determinado voto. Acabam não respondendo e se complicando ao tentar justificar o injustificável.
2) Políticos do mal: São os políticos da oposição. Na verdade não são "do mal" ao pé da letra, mas a sua condição de oposição os fazem semear o ódio à situação a qualquer preço. Para estes, tudo está errado, e aquilo que seu adversário político fizer para tentar melhorar será sempre criticado. Não há obra, não há medida, não há ação que preste. Para os políticos do mal, se a cidade ou estado tem problema, a culpa é exclusivamente do administrador atual. Estranhamente, acham que quando seu partido era situação tudo era maravilha. Por um certo momento, se tornam ídolos das redes sociais por engrossar as vozes dos cidadãos mais críticos.
3) Políticos de campanha: São os politicos que estão sempre pensando nas próximas eleições. Ninguém ouve falar deles durante o mandato, mas se tornam super ativos em época de eleição. Estes ficaram muito evidentes nas eleições de 2010: vários apareceram nas redes sociais cheios de promessas quando faltavam três meses para as eleições e, da mesma forma que fazem durante seus mandatos, desapareceram das redes no dias seguinte à eleição.
4) Políticos outdoor: Sabem aqueles usuários de redes sociais que postam "estou no banho", "comendo", "vou dormir", "acordei"? Pois é, tem alguns políticos agem de forma parecida, fazendo de sua conta um verdadeiro outdoor. Mas neste caso, os posts são "palestra na escola X", "sessão plenária", "na homenagem a Fulano de Tal". Estes não apresentam propostas, não emitem opiniões e fingem não ler os questionamentos dos demais cidadãos. Muitas vezes, nem são os próprios usuários de suas contas nas redes sociais, deixando suas postagem para assessores.
Mas na política nas redes sociais, não são apenas os politicos que chamam atenção. Tem também os cidadãos comuns que, se não fazem política, estão o tempo todo de olho no cenário político. Uns assumem claras posições, outros ficam na reta-guarda, mas quatro comportamentos se evidenciam. São eles:
1) Cidadão puxa-saco: Este se parece com político do rabo preso. Tem afinidade (leia-se $$) com a situação e só posta maravilhas do administrador estadual ou municipal ao qual está ligado. Para estes parece que é Deus no Céu e seu politico na Terra.
2) Cidadão revolucionário: Este está revoltado com tudo. Para estes todos são suspeitos até que se prove ao contrário. Toda ação do governante tem segundas intenções e será criticada até a morte. Elogiar? Jamais! Pois, como dizem alguns, "Bom mandato é obrigação e criticar é a solução. Viva a revolução!"
3) Cidadão independente: Este não tem rabo preso com ninguém. Critica o que acha errado e elogia o que acha certo, podendo inclusive elogiar e criticar ações do mesmo político. Esse comportamento é raro, pois a maioria acaba por escolher um lado.
4) Cidadão "só na moita": Este é o que se finge de morto e fica só na sua. Sabe de todos os assuntos, acompanha todos os debates, mas não entra na discussão ou só de vez enquando. Fica só na espreita e tira suas próprias conclusões, não fazendo questão de compartilhá-las.
Estes são os tipos de políticos e de cidadãos politizados das redes sociais. Se você é um cidadão comum, politizado, espero que seja o independente ou o "só na moita", porque, infelizmente, de puxa-saco e revolucionário a rede já está cheia.
Agora se você é político, certamente se identifica com algum dos quatro tipos (ou com mais de um dos quatro). Não tem jeito: ou é do rabo-preso, ou é do mal, ou é de campanha ou outdoor. Gostaria que existisse um quinto tipo de político das redes sociais: aquele independente, que se preocupa com o povo e não com as próximas eleições, que opina de acordo com o que acha certo ou errado e não de acordo com o que seu grupo político manda. Infelizmente, este quinto tipo de político ainda é só teoria porque um representante deste grupo ainda não apareceu, ainda não nasceu ou não teve ajuda para ser eleito.
Dentre os primeiros, aqueles que resolveram interagir, podemos perceber alguns padrões de comportamento. Vamos a eles:
1) Políticos do rabo preso: São aqueles que estão comprometidos com a situação. Forma a base de sustenção do governo ou prefeito e pregam que tudo que está errado é culpa da administração anterior do partido contrário. Não discordam de nada do seu "patrão" atual, independemente de as ações deste serem boas ou ruins. Por causa disto, geralmente ficam na maior saia justa quanto são questionados por outros internautas sobre determinado assunto ou sobre a justificativa de um determinado voto. Acabam não respondendo e se complicando ao tentar justificar o injustificável.
2) Políticos do mal: São os políticos da oposição. Na verdade não são "do mal" ao pé da letra, mas a sua condição de oposição os fazem semear o ódio à situação a qualquer preço. Para estes, tudo está errado, e aquilo que seu adversário político fizer para tentar melhorar será sempre criticado. Não há obra, não há medida, não há ação que preste. Para os políticos do mal, se a cidade ou estado tem problema, a culpa é exclusivamente do administrador atual. Estranhamente, acham que quando seu partido era situação tudo era maravilha. Por um certo momento, se tornam ídolos das redes sociais por engrossar as vozes dos cidadãos mais críticos.
3) Políticos de campanha: São os politicos que estão sempre pensando nas próximas eleições. Ninguém ouve falar deles durante o mandato, mas se tornam super ativos em época de eleição. Estes ficaram muito evidentes nas eleições de 2010: vários apareceram nas redes sociais cheios de promessas quando faltavam três meses para as eleições e, da mesma forma que fazem durante seus mandatos, desapareceram das redes no dias seguinte à eleição.
4) Políticos outdoor: Sabem aqueles usuários de redes sociais que postam "estou no banho", "comendo", "vou dormir", "acordei"? Pois é, tem alguns políticos agem de forma parecida, fazendo de sua conta um verdadeiro outdoor. Mas neste caso, os posts são "palestra na escola X", "sessão plenária", "na homenagem a Fulano de Tal". Estes não apresentam propostas, não emitem opiniões e fingem não ler os questionamentos dos demais cidadãos. Muitas vezes, nem são os próprios usuários de suas contas nas redes sociais, deixando suas postagem para assessores.
Mas na política nas redes sociais, não são apenas os politicos que chamam atenção. Tem também os cidadãos comuns que, se não fazem política, estão o tempo todo de olho no cenário político. Uns assumem claras posições, outros ficam na reta-guarda, mas quatro comportamentos se evidenciam. São eles:
1) Cidadão puxa-saco: Este se parece com político do rabo preso. Tem afinidade (leia-se $$) com a situação e só posta maravilhas do administrador estadual ou municipal ao qual está ligado. Para estes parece que é Deus no Céu e seu politico na Terra.
2) Cidadão revolucionário: Este está revoltado com tudo. Para estes todos são suspeitos até que se prove ao contrário. Toda ação do governante tem segundas intenções e será criticada até a morte. Elogiar? Jamais! Pois, como dizem alguns, "Bom mandato é obrigação e criticar é a solução. Viva a revolução!"
3) Cidadão independente: Este não tem rabo preso com ninguém. Critica o que acha errado e elogia o que acha certo, podendo inclusive elogiar e criticar ações do mesmo político. Esse comportamento é raro, pois a maioria acaba por escolher um lado.
4) Cidadão "só na moita": Este é o que se finge de morto e fica só na sua. Sabe de todos os assuntos, acompanha todos os debates, mas não entra na discussão ou só de vez enquando. Fica só na espreita e tira suas próprias conclusões, não fazendo questão de compartilhá-las.
Estes são os tipos de políticos e de cidadãos politizados das redes sociais. Se você é um cidadão comum, politizado, espero que seja o independente ou o "só na moita", porque, infelizmente, de puxa-saco e revolucionário a rede já está cheia.
Agora se você é político, certamente se identifica com algum dos quatro tipos (ou com mais de um dos quatro). Não tem jeito: ou é do rabo-preso, ou é do mal, ou é de campanha ou outdoor. Gostaria que existisse um quinto tipo de político das redes sociais: aquele independente, que se preocupa com o povo e não com as próximas eleições, que opina de acordo com o que acha certo ou errado e não de acordo com o que seu grupo político manda. Infelizmente, este quinto tipo de político ainda é só teoria porque um representante deste grupo ainda não apareceu, ainda não nasceu ou não teve ajuda para ser eleito.
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