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domingo, 19 de janeiro de 2025

Um domingo diferente

Domingão. Dia de descanso. A gente levanta sempre um pouco mais tarde, por volta das 6 horas, enquanto as crianças dormem até tarde. De repente, dão 8 horas e as crianças já levantam. 

- Ah, quem desligou o ar-condicionado?

- Ninguém, ué!

Que surpresa boa! As crianças levantaram antes das 11 horas. Levantaram reclamando do calor porque estavam sem ar-condicionado. Logo foram para a sala e a TV não ligava. 

- Que chato! Nem podemos ligar o vídeo-game.

Restou irem para o celular, mas não tinha internet. Então, nada de WhatsApp. Tentaram jogar offline mesmo, no celular, mas a bateria já estava no fim.

- Que chato! O jeito vai ser tomar café.

E assim, finalmente, depois de vários dias, vimos os meninos acordarem cedo e logo irem tomar café. Coisa raríssima nas férias. 

Terminado o café da manhã, nada para fazer, segundo eles. Logo tratamos de arrumar-lhes serviço.

- Meninos, lavem seus pratos!

E lá foram eles lavarem seus pratos do café da manhã, sem desculpas. Em seguida, forraram a cama e limparam o quarto. Depois, recolheram o lixo e guardaram suas roupas no guarda-roupas.

Nesta manhã, fizeram tanta coisa, que não faziam há tempos, que nem acreditamos.

Depois, foram na varanda e viram um lindo dia de sol. 

- Podemos ir para a piscina?

- Claro, meninos!

E lá foram eles se arrumar para descer "pro play" e para a piscina. Fazia tempo que nem lembravam que a piscina existia e mais tempo ainda que não acordavam tão dispostos para descer.

Chegando na piscina, que surpresa! Estava lotada! Vários meninos do prédio, também tiveram a mesma ideia de descer para a piscina. Coincidência? Aí foi só alegria. Muitas brincadeiras, mergulhos e diversão. Todos eles conversando e apreciando a manhã de sol de domingo juntos. Todos eles, por quase um dia, livres das telas de seus aparelhos eletrônicos.

Pelo jeito, esse negócio de faltar energia em pleno domingo não é uma coisa ruim assim. Acho que a  companhia de energia elétrica até poderia anunciar mais desligamentos programados de energia toda semana. Acho que farei até melhor: no próximo domingo, eu mesmo vou desligar o disjuntor do apartamento.

sexta-feira, 20 de março de 2015

A geração sem arranhão

Depois que você tem filhos, é inevitável não comparar a infância que você teve com a que tem proporcionado a eles. Sempre pensamos em resgatar aquilo que melhor aconteceu na nossa para possibilitar o mesmo aos nossos pequenos. Lembramos também o que de ruim aconteceu e tentamos eliminar estas experiências desagradáveis do crescimento dos nossos filhos. Enfim, baseamo-nos em nossa experiência para tornar a infância deles a melhor possível.

Quando lembramos da nossa infância, umas das primeiras lembranças são nossas brincadeiras com os amigos e nossos brinquedos. As brincadeiras com amigos eram muitas. Tinha polícia e ladrão, esconde-esconde e bola de gude. Tinham os jogos de queimado, futebol e vôlei. Tinha também tacobol, ping-pong, pular corda. Jogávamos vídeo-game (mas só quando a TV estava disponível). Juntávamos os amigos para brincar com os nossos brinquedos. Fazíamos campeonato de futebol de botão. Tinham também as travessuras: subir no muro, jogar pedra na casa da vizinha, colocar rojão na caixa do correio, apertar a cigarra do vizinho e sair correndo. A gente brincava muito, se sujava todo, rasgava a camisa no espinheiro ou rasgava quando um amigo a puxava numa ou noutra brincadeira. A gente corria, caía, se arranhava todo, pisava em prego, pisava em vidro. Brincávamos, nos machucávamos e éramos felizes.

Hoje nossos filhos também têm seus amiguinhos. Também têm seus brinquedos. Nossos filhos também se divertem, também são felizes, mas... mas..., mas de forma diferente. Nasceram e estão crescendo na geração do computador, do celular e dos jogos eletrônicos. Passam horas em frente a uma telinha, e, assim, percebemos nossos filhos divertindo-se de forma mais solitária e mais sedentária. Se, no passado, nossos pais se preocupavam em saber com quem nós estávamos brincando para não nos juntarmos com "pessoas ruins", hoje, nossos filhos brincam muito mais vezes sozinhos. Se antes a gente "ostentava" nossos machucados e arranhões, hoje, diante dos jogos eletrônicos, nossos filhos estão ficando intactos, sem marcas no corpo e até bem mais pesadinhos. Muitas vezes vemos um grupo de crianças reunidas e, de repente, aquela cena mais comum hoje em dia: uma criança ao lado da outra, todas sentadinhas e cada uma jogando com seu celular. Um silêêêêêêêncio! Bem diferente daquela baderna, daquela confusão, que enlouquecia nossos pais quando éramos crianças. Aquela baderna que, hoje, como pais, gostaríamos de ver.

É. Os tempos são outros. É difícil aceitar ou entender esta nova infância da "geração sem arranhão", ainda mais quando lembramos com tanta nostalgia da nossa. Fica uma estranha sensação de que estamos falhando na construção da infância que sonhamos para nossos filhos. Mais estranha ainda porque fica a dúvida: será que estamos realmente falhando ou será que não há nada de errado e nós é que temos dificuldade em aceitar os novos tempos? Em outras palavras, existe algo realmente errado com esta nova geração ou nós que estamos presos num passado que já não existe mais? Na dúvida, vamos viver o momento e aprender com ele. No futuro teremos a resposta.