Desde que a "Copa das Copas" teve seus finalistas definidos, sem o Brasil, não é surpresa para quem ficou a torcida da grande maioria dos brasileiros. Para a Alemanha? Não. Na verdade, contra a Argentina.
Para muitos, ver a Argentina campeã, em solo brasileiro, seria um pesadelo. Por que? Motivos são o que não faltam. Nas palavras de vários brasileiros, "os argentinos são muito chatos", "eles não gostam do Brasil", "torcem contra nós", "fazem piada dos brasileiros", "são maleducados e fazem muita bagunça"... Você concorda que argentino é rival, maleducado, chato, faz piada e torce contra nós? Boa parte deles são assim mesmo e fazem tudo isso. No entanto, eles fazem com o Brasil o mesmo que nós fazemos reciprocamente. São exatamente como nós.
Interessante: os diversos adjetivos que os brasileiros usam para desqualificar os argentinos, e para justificar a torcida contra eles, podem ser aplicados aos brasileiros. Afinal, nós somos chatos com eles, dizemos que não gostamos deles, fazemos piada com eles e não somos nenhum exemplo de boa educação. Criamos uma rivalidade igual a deles conosco e que, a cada dia, é incentivada pelos meios de comunicação. Quantas propagandas na TV vemos explorarem esse sentimento para fazer chacota com argentinos? É a Skol mandando os argentinos para uma ilha deserta. É Romário mandando dois pés esquerdos de Havaianas para Maradona, e por aí vai. Alguns podem dizer que é só rivalidade futebolística. Será? Talvez. A certeza é que, mesmo sem nunca conhecer um único argentino, muitos brasileiros repetem esses mesmos adjetivos pejorativos atribuídos aos argentinos.
E você? Por que enxerga os argentinos de forma depreciativa? É só futebol ou resposta ao que eles sentem por nós? De fato, quando fazemos piada, discriminamo-os ou os vemos como rival, apenas repetimos seu comportamento. Ou seja, assumimos um comportamento que nós mesmos recriminamos. No final, nos tornamos iguais a eles. Somos todos iguais. Somos todos argentinos.
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sábado, 12 de julho de 2014
quarta-feira, 13 de março de 2013
Um novo Papa e velhos desafios
Sim, temos Papa. E tão logo o novo Papa foi anunciado, choveram memes e piadinhas, principalmente pelo fato de ser, o escolhido, um argentino. Piadinhas até engraçadas, é verdade, motivadas parte por nosso saudável senso de humor, parte por nosso irresponsável preconceito com os nossos irmãos argentinos. Brincadeiras à parte, o mais importante é que não fiquemos apenas fazendo graça e pensemos no lado sério deste acontecimento.
Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, foi o escolhido e adotará o nome de Francisco. Se a escolha foi boa ou não, só o tempo dirá. Neste primeiro momento, soa até como algo inconsequente fazer qualquer tipo de comemoração, afinal pouco se sabe sobre as histórias de vida ou os planos de qualquer um dos cardeais que eram candidatos. Nos próximos dias, a imprensa internacional, certamente, irá fazer uma devassa na vida pregressa do novo chefe da Igreja.
Ainda no mesmo dia da escolha, já começaram a surgir as primeiras informações. Já se sabe que o novo Papa teve atritos com o atual governo argentino por ele (o Papa) ser contra a união civil de homossexuais e por cobrar publicamente ajuda deste para os pobres. Também surgiram informações de que a nova Sua Santidade está sendo investigado dentro da Argentina por suposta colaboração com a ditadura argentina, em que há acusações de envolvimento com sequestros de jesuítas e bebês durante este período. Ainda no primeiro dia de escolha, outros comentários deram conta de que o cardeal Bergoglio tem se destacado por levar uma vida simples, sem ostentação, em Buenos Aires: ele mesmo preparava as suas refeições e costumava usar o transporte público.
Entre polêmicas, verdades ou mentiras, de certo mesmo, é que o novo Papa terá pelo menos dois grandes desafios pela frente. Primeiramente, recuperar o prestígio da Igreja Católica, abalada por seguidos escândalos de pedofilia e que perde seguidores ano a ano. E o segundo desafio, que é unir a Igreja internamente, já que fala-se muito que existem divergências, disputas por poder e conchavos entre os cardeais da cúpula do Vaticano, sendo estes, fala-se, mas não se confirma, alguns dos principais motivos que levaram Bento XVI à renúncia.
No mais, é esperar que o Papa Francisco seja bem sucedido e consiga conduzir a Igreja, e parte do mundo que ela influencia, por caminhos melhores. A escolha de um pontífice latino, pela primeira vez na história, soa bem. Parece demonstrar que a Igreja não está com os olhos voltados apenas para a Europa e está aberta a outros continentes. Independentemente da nacionalidade, que este seja um Papa para todos os povos.
Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, foi o escolhido e adotará o nome de Francisco. Se a escolha foi boa ou não, só o tempo dirá. Neste primeiro momento, soa até como algo inconsequente fazer qualquer tipo de comemoração, afinal pouco se sabe sobre as histórias de vida ou os planos de qualquer um dos cardeais que eram candidatos. Nos próximos dias, a imprensa internacional, certamente, irá fazer uma devassa na vida pregressa do novo chefe da Igreja.
Ainda no mesmo dia da escolha, já começaram a surgir as primeiras informações. Já se sabe que o novo Papa teve atritos com o atual governo argentino por ele (o Papa) ser contra a união civil de homossexuais e por cobrar publicamente ajuda deste para os pobres. Também surgiram informações de que a nova Sua Santidade está sendo investigado dentro da Argentina por suposta colaboração com a ditadura argentina, em que há acusações de envolvimento com sequestros de jesuítas e bebês durante este período. Ainda no primeiro dia de escolha, outros comentários deram conta de que o cardeal Bergoglio tem se destacado por levar uma vida simples, sem ostentação, em Buenos Aires: ele mesmo preparava as suas refeições e costumava usar o transporte público.
Entre polêmicas, verdades ou mentiras, de certo mesmo, é que o novo Papa terá pelo menos dois grandes desafios pela frente. Primeiramente, recuperar o prestígio da Igreja Católica, abalada por seguidos escândalos de pedofilia e que perde seguidores ano a ano. E o segundo desafio, que é unir a Igreja internamente, já que fala-se muito que existem divergências, disputas por poder e conchavos entre os cardeais da cúpula do Vaticano, sendo estes, fala-se, mas não se confirma, alguns dos principais motivos que levaram Bento XVI à renúncia.
No mais, é esperar que o Papa Francisco seja bem sucedido e consiga conduzir a Igreja, e parte do mundo que ela influencia, por caminhos melhores. A escolha de um pontífice latino, pela primeira vez na história, soa bem. Parece demonstrar que a Igreja não está com os olhos voltados apenas para a Europa e está aberta a outros continentes. Independentemente da nacionalidade, que este seja um Papa para todos os povos.
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